quinta-feira, 31 de março de 2011

Rio que não é rio

Gostaria que o Rio Mossoró me envolvesse tanto quanto o Tejo de Pessoa, o Capibaribe de Bandeira e de João Cabral de Melo Neto ou O Rio Potengi que encantou o autor do Pequeno príncipe com seu pôr do sol. 

O rio da minha cidade só me traz lembranças de enchentes como a de 1985 que invadiu minha casa, mesmo esta não estando à beira do rio. Hoje está poluído por moradores da cidade, fábricas e esquecido pelos políticos no poder.

Gostaria de cantá-lo para encantar as pessoas que por ele já se banharam, que dele já precisaram e para os que virão. Mas é um rio que passará despercebido, ninguém um dia vai lembrar do rio da minha aldeia. E pensar que ele já foi cantado até por Drumond: "As lavadeiras de Mossoró, cada uma tem sua pedra no rio: cada pedra é uma herança de família, passando de mãe a filha, de filha a neta, como vão passando as águas do tempo... Na pobreza natural das lavadeiras, as pedras são uma fortuna, jóias que elas não precisam levar para casa. Ninguém as rouba, nem elas, de tão fiéis, se deixariam seduzir por estranhos.” Vocês encontram mais do conto  em "Contos Plausíveis, editora Record. Aqui nós sabemos que ele nunca  esteve, mas vindo de Drumond não é novidade.

As lembranças boas não existem para as atuais gerações, nem tampouco para as vindouras. Só me resta dizer, infelizmente, "foi um rio que passou em minha vida".
                                            ***
Curiosidade: Drumond teve uma cozinheira mossoroense, chamava-se Luzia Helena de Carvalho ( 1926-2002)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Famigerado

 Alguém sabe o que é famigerado? Até 15 atrás, eu também não. Dando aula para os sextos anos sobre o uso do dicionário, os alunos tinham que procurar o significado dessa palavra. É o típico caso da arbitrariedade da língua, ou seja, o significante nada tem a ver com o significado. Isso dá, também, outro tipo de atividade apra fazer com os alunos.

Quando li essa palavra, lembrei de esfomeado, de alguém com muita fome, mas ao ver o real sentido, não remetia a isso. Sempre que escuto ou leio uma palavra desconhecida, no mesmo dia me deparo com ela, ou escutando na tv, ou dito por alguém na hora da interlocução, ou em livros e revistas. Pois bem, na mesma semana , li o artigo de Roberto Pompeu de Toledo que falava da visita do presidente Barack Obama, que dizia: " ... sinal de que guarda uma grande notícia, talvez relacionada com a famigerada cadeira." Nesse caso a cadeira de presidente. Embora que ,com sua vinda vimos que não houve muitas novidades para ajudar o Brasil. Nesse meio tempo, já sabia o que significava essa palavra. Vocês devem estar curiosos. Famigerado significa, segundo o Aurélio, de muita fama ( sobretudo quando má). 

Então, temos: A grande famigerada Fernanda Montenegro; O famigerado Adriano volta ao Brasil, etc. Essa palavra, também me fez lembrar de Guimarães Rosa, que adorava neologismos como "nonada". Famigerado bem que poderia ter saído de um de seus contos ou romances como Tutameia, Sagarana ou Grandes sertões: veredas. Coisas de nossa "última flor do Lácio inculta e bela"

terça-feira, 29 de março de 2011

Carta para mim

Alguns acham que escrever cartas num meio eletrônico tão avançado e dinâmico é ultrapassado. Mas é tão bom relembrar velhos tempos.  A expectativa de receber notícias  de amigos e familiares era legal à bessa. Quando as missivas vinham à cavalo, a alegria deveria  ser maior ainda.
Lógico que agora é tudo muito melhor. Entretanto, velhos hábitos poderiam permanecer vez em quando.
Quem nunca escreveu cartas de amor que atire a primeira pedra. Quem  escreveu para um amigo quando estava triste?
Comecei a redigir cartas aqui, neste blog. Realmente faz muito tempo que não mando cartas á moda antiga. Como a língua coça para ler, da mesma forma minha mão para escrever. Nunca me senti tão bem, tão up ,tão in, so happy, so all.
                                                          XX OO
                                                             Edson
P.S. Março é o mês do meu aniversário, que adoro, mas é tão comprido! E os dias estão longos demais, ou é impressão minha?

segunda-feira, 28 de março de 2011

De onde?


                                                              Meu nome é Gal
                                                              e desejo me corresponder
                                                              com um rapaz que seja o tal.
                                                              Meu nome é Gal.
                                                                ( Roberto e Erasmo Carlos)

De onde virá o meu amor
de Angola ou da Oceania?
Não sei. Não sei.
Será francês com sua voz doce
ou será alemão com sua frieza
                        e descortesia?

Talvez de Baraúna
Governador Dix-sept Rosado
Natal.
Ou virá da Bahia?

Chegará de nau
              à cavalo
                 de bonde
                     ou jatinho?

Virá
Quandop menos eu esperar?
Virá
guerreiro, um Calabar?
Virá
Simples, sem modelo, para amar?
Virá.
                   ( Mossoró, 24/03/11)

domingo, 27 de março de 2011

Noite


A noite vem
não a noite de Drumond
que dissolve os homens.
Mas a noite que pernoita
no mote do amor.

Depois desanoitece

Só assim
o açoite que foi da noite
deixou marcas em mim.

Foices e mais foices.

Oi! Que bom!

sábado, 26 de março de 2011

Confabulando VII


I- Por que padre adora comer?
II- Elisabeth Bishop gostava de ficar olhando mapas. Tornou-se uma grande viajante. Aportou por um tempo no Rio Janeiro.
III- Drumond não viajava, exceto uma vez, foi à Argentina, visitar a filha e os netos, mas sua poesia é universal. É como se conhecesse todos os países.
IV- Ser de primeiro mundo é outra coisa. Nenhum japonês saqueou supermercados ou lojas depois do tsunami. Durante o terremoto, tembém, não houve pânico, nem correria. Apesar dos mortos, o país estava preparado para a situação. Se não teria sido pior. Se fosse no Brasil?
V- Virou moda em Mossoró assaltos a bares e restaurantes. No bar de Lucena e em frente ao IFRN. Deve haver outros.
VI- Morre Elisabth Taylor- talento e beleza.
VII- Não vou mais falar sobre política neste blog. Cada vez aumenta minha indignação pela politicagem brasileira. O estopim foi a manchete que saiu ontem na Folha, "Governo negocia nova fórmula para a aposentadoria." Eles fazem o rombo e nós que pagamos.
VII- Muito cuidado com o que se fala. A peça " Fique frio" foi cancelada no Piauí, depois que o ator Marauê Carneiro postou no facebook a seguinte declaração, " Se o mundo tiver cu, está no piauí". Mais detalhes leiam a Folha de São Paulo.
IX- Para pensar:

Resposta ao Tempo

Nana Caymmi

Composição : Aldir Blanc/Cristovão Bastos
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

sexta-feira, 25 de março de 2011

Flashback






                 PASSADO
    Passado             passado                           
             Presente  
Passado                  passado   
                 Passado

                 THE END