sábado, 7 de maio de 2011

O cúmulo dos cúmulos II

I- A nova carteira de identidade vai custar 40,00 R$ e terá de ser trocada de tempos em tempos, assim que o chip não funciomar mais. O governo adora arrecadar dinheiro.
II- Chove demais no sul e sudeste. Chovia de menos no nordeste. Agora é chuva demais por aqui.






 
III- No Pará, jovem morre afogado depois de levar uma descarga elétrica de 600 v de um peixe.
IV- Mossoró está pior do que as capitais: todo dia é assassinato, só faltam as balas perdidas.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O eco

O eco
repercute no açude vazio.
O vento

Vejo o boitempo de Drumond.
Boi parado
à espreita.
É quando o tempo para
pronto para o açoite
pronto para o coice.

"Boi, boi, boi da cara preta
leva esse menino que tem medo de careta".

O eco retorna
tempo empo empo empo empo empo p(ó)o.

Acordo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tia Neném

A personagem de Ana Lúcia Torre, Tia Neném, é inconveniente ou verdadeira? A resposta vai depender do seu ponto de vista. Ela sempre fala a verdade na cara. Sua vítima, no momento é Wanda ( Natãlia do Vale). "Se você não tivesse traído seu marido, ainda estaria rica, teria casa..." e por aí vai as tiradas sarcásticas de Tia Neném. Falar a verdade dói, muitos se incomodam, pessoas assim tem poucos amigos ou nenhum porque a maioria das pessoas preferem a falsidade, o elogio enganoso, alguns preferem uma mentira verdadeira, entendem o parodoxo? Tia Neném não poupa familiares nem desconhecidos. Gosta de tomar uma birita escondido. Seu defeito é gostar de roubar, tirar vantagem em alguma situação. Fora isso ela está mais do que certa em destilar seu veneno. Sua língua ferina serve pra alertar os outros a não cometerem os mesmos erros.
Certa ou errada, não importa. Essa personagem secundária é tão bem elaborada, trabalho este, dessa grande atriz que sempre nos surpreende.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O olho

As fotos me olham
com saudades de mim.

A mala me olha.
- Trip, tour ou travel?
Ela pergunta assim.

Sem resposta,
o porta-retrato chora
lágrimas de nanquim.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Amor e golpe militar

A melhor novela no ar é Amor e revolução, do sbt. Na verdade deveria se chamar amor e golpe, pois não houve uma revolução, já que o povo não participou dessa mudança. Ainda bem, porque depois da escravidão, considero essa etapa da nossa vida a pior pela qual já passamos. História  a parte, voltemos a novela.
Antes mesmo da novela começar, já houve quem quisesse embargá-la, tirá-la do ar, pelo único motivo, porque mexe nas vidas de miitares que ainda vivem. A novela já recebeu algumas críticas por não ser fiel ao acontecido, mas nenhuma obra de ficção tem essa obrigação. Importa ser verossímel, abrir discussões da realidade passada e presente. Isso o folhetim está fazendo e muito bem por sinal. Lógico que uma história de amor tem que estar presente, pois se trata de uma telenovela com todas suas características que vem desde os folhetins do Romantismo do sec. XIX para atingir todos os públicos, de todas as idades e classes sociais.

Chico Buarque está presente na trilha sonora, suas canções são decisivas na interpretação desse periódo, como também, camimhando e cantando, de Geraldo Vandré. Esta música me lembra a quarta série do antigo primário, pois a professora a colacava para nós cantarmos. Isso em 1980. Tempo de ditadura.

Assistam, entrem um pouco na nossa história e fiquem por dentro de nossa formação para entender o processo pelo qual passou nossa identidade como brasileiros.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Nunca houve uma mulher como Bibi

 Quem tem medo de Bibi? Os homens, claro. Rica, independente, cuida do corpo, não se apaixona para sofrer, decidida, escolhe com quem vai ficar. Diante de tudo isso, os homens se sentem usados. A síndrome da fragilidade que antes era das mulheres, hoje são os machos que a tem.
Bibi ( Maria Clara Gueiros) não se deixa enganar. Ela sabe que muitos se aproximam dela por causa do seu dinheiro, mas ela sabe jogar a seu favor e o feitiço vira contra o feiticeiro. Quando eles pensam que vão lhe dar uma rasteira, ela muito mais esperta sai na vantagem e ainda abusa e se lambuza dos machos men. Essa mulher do século XXI não deixa barato. Aurélia Camargo tinha muito que aprender com Bibi. A personagem de José de Alencar ama demais Fernando Seixas.  Ela passa a narrativa toda humilhando o marido, mas no fim se entrega a esse amor que tudo perdoa. Aurélia era rica, bonita, loira, olhos azuis, também poderia ter o homem que quisesse, porém sucumbe ao amor de quem a rejeitou. Coisas do sec. XVIII.
 Alencar entra na questão da emancipação da mulher, por isso Senhora ter um pé no Realismo, mas como a história termina como as demais no "foram felizes para sempre", a obra pertence ao Romantismo.
Portanto , as Bibis são raras, mesmo com toda a emancipação feminina, mesmo com mulheres ocupando altos cargos, as próprias mulheres não gostam do tipo de mulher como Bibi, mas isso é um falso moralismo que não cabe aqui discutir. A mulher precisa ser e saber ser independente. A personagem de Maria Clara está na sua casa toda noite para provar isso.

domingo, 1 de maio de 2011

Carta à Madalena


Cara Madalena,
                             Acordei com preguiça, mas mesmo assim fui arrumar meus livros, criar coragem para te escrever. Tu, que foste professora, sabes disso, às vezes, vem uma preguiça intelectual. Estás bem? Espero que sim, pois aqui na terra sofreste. Querias mudança. Mudar a vida das pessoas do campo através do ensino, mas enfrestaste barreiras, principalmente de teu marido. É difícil não falar de Paulo Honório. Ele, o principal pivô de teu suicídio. Imagino-te, escrevendo aquela carta, pois não tinhas com quem desabafar as intransigências e machismo dele. Ele, capitalista, enriqueceu às custas da exploração e de enganações, nunca que iria querer mudar a mentalidade das pessoas. Educar é transformar, era isso que tu querias Madalena. Por que não fugiste? Sei que era difícil enfrentá-lo, mas poderias ter buscado outra alternativa.
                             Espero que daí de cima, tenhas visto a degradação dele. Verdade, quando morreste, entrou em crise de consciência, perdeu tudo, principalmente o seu melhor tesouro, você. Não adianta chorar no leite derramado. Fizeste muita falta. Assim como Bentinho, ficou só, com seu fluxo de consciência, remoendo o passado. Noites e noites em claro, chamando-te, mas em vão, tarde demais.
                             Tomara que estejas ensinando os anjos, assim como tu foste aqui na terra. Um abraço, amiga. Manda um pouco de tua ternura e paciência. 
                                                                                       Edson Pereira