terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Prainha




Praia
Do amor do mar que me arrasou.
Emergi da imensidão
Encontro tua mão
E foi assim
Que mais uma vez me derramei.
Fujamos,
Canoa Quebrada
Shangri-lá
Mahakesh
Ou fiquemos
Numa simples rede
Matando nossa sede.
                                                                 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brasil


Brasil de pessoas sonhadoras
A maioria das pessoas morrem por sonhar.

As pessoas
A maioria delas
Morrem por sonhar.

Sonham por moradia
Sonham por pão
Sonham por vida sadia
Sonham por educação

Brasil de pessoas sonhadoras
           Brasil de pessoas morredouras
Brasil de pessoas mil...
Que sonham,..
E sonham...
E sonham...
E sonham...

Brasil fantasmagoricamente senil.                                         


Amor

Penso no amor
Noite
Dentro de mim
Amor não vem
Noite. Açoite  
talvez algo aconteça de madrugada.
Se a madrugada chegar
Lancem os dados
Lancem os dardos.
Arco e flecha
Suspensos no ar
E Eros a amar 
E eu
   eu
     eu
       eu.
              Poema reformulado no dia 09-01-05 ás 13:00 h

                                                                                     

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Assim sim

                                                                                       (Rodin)

Quero assim
Tua boca pra mim
Teu olhar derrubando
Tua voz pra mim
Teu silêncio falando
Tua respiração para mim
           Teu corpo mostrando.

Nosso tesão sempre assim
                         esperando
Nossos corpos latejando
De prazer
De bem-viver
Escutando qualquer canção.

Tudo assim
Tua saliva pra mim
Teu gosto sem fim
Tira tudo de mim
Teus beijos sem fim
Conhecer as joias
Deixá-las voar
E sair por aí.
              
                                          

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Meu ancoradouro

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar
                                                                                                                  ( Cais, de Milton Nascimento )






MEU ANCORADOURO

Escorre sangue
Das veias de um ser humano
Por sofrer
Por não viver como devia.
Escorre do mangue
Uma lama preta
Escorre feias feridas
Escorre as feias feridas dos homens
Por poluir rios e Marias
Na poluição do preconceito.
Escorre o mal feito.
O ancoradouro é meu coração.

Do meu ancoradouro também escorre
Alegrias
Ele bombeia o mal e o bem
            o querer e não-querer
            o bem-me-quer e o mal-me-quer
Escorre
       Escorre
Escorre a vida
             a lida
                  idas
Cheia de idas.                                                          





quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TER




Tenho a poesia,
a nostalgia.
Tenho o sistema nervoso
abalado pela sensibilidade
guardada em minha alma.
Tenho uma cidade
Tenho a noite
Tenho o açoite dos pensamentos
fugazes que me visitam
Quando estou de bem
Comigo mesmo.

Tenho os livros, meus amigos,
Tenho a solidão de um coração
Vivendo sempre e sempre por emoção.
Tenho tua ingratidão
A ingratidão de não me deixares
Ter o teu coração balão.
Tenho tudo e não tenho nada
Porque sou incapaz
de compreender
a razão do que é você.